Viver numa Autocaravana /Motorhome

Vicissitudes da vida me fizeram viver na minha autocaravana (motorhome) durante uns tempos (não, eu não estava a precisar de dinheiro, foi uma escolha!) e garanto que podia viver nela vários anos!
Seria até incoerente da minha parte ter o sonho de viajar de autocaravana durante vários meses pela Europa e não conseguir viver nela, certo?
Já tínhamos a autocaravana há mais de 1 ano, já tínhamos feito férias grandes com ela, vários finais de semanas, sabia o que me esperava. Foi uma escolha consciente, pesei os prós e contras e claramente os prós ganharam com distância.
Mas viver na autocaravana a tempo inteiro deu-me muito mais do que podia imaginar!
Acima de tudo deu-me consciência.
Consciência do lixo que fazia, porque não podia esconder o lixo na despensa nem num balde do lixo com tampa daqueles que se fecham rápido (quase engolem o lixo e a mão) numa porta debaixo da pia da cozinha (acho que penso, bolas, nós somos mesmo bons a esconder o lixo). Na autocaravana o espaço é limitado, logo o espaço para o lixo também é reduzido e, no meu caso, não ficava escondido. Espantei-me com a capacidade de uma só pessoa fazer tanto lixo, quase todos os dias tinha uma saca para deitar fora, algo não estava bem. A fonte principal de lixo eram embalagens, e foi aí que despertei para a vida ‘ZERO WASTE‘. Não, não sou uma Zero waster, mas o despertar fez-me pesquisar sobre alternativas, ler livros sobre o assunto, fui a palestras, comecei a seguir contas de pessoas com esse propósito, vi documentários e aos poucos o meu lixo foi reduzindo… provavelmente nunca será zero, mas eu já fico feliz com a redução! E é um processo contínuo, adotas uma mudança, passado uns tempos ela já está enraizada e já começas a procurar outra mudança, experimentas uma coisa hoje e outra noutro dia, ficas mais atenta ás mudanças que para ti funcionavam melhor, para as mudanças que podes fazer… eu não me cobro, por vezes quando compro algo que não devia oiço uma vozinha interior ‘isto não está certo’ mas não é voz da cobrança é a consciência, e acho isso importante para que se torne natural, para que seja um prazer e não uma obrigação. Agora, voltamos a viver numa casa voltei a sentir que fazia demasiado lixo mas como já tinha enraizado algumas ‘medidas zero waste’ foi mais fácil adquirir novas!
É como disse, é um processo contínuo… começa em deixar de usar sacolas de plástico e há dias fiz pasta de dentes caseira… não sei onde vai parar, mas sei que nunca vou ser perfeita nem perto disso, mas vou fazendo a minha parte cada vez melhor.
Consciência da natureza, da beleza da natureza, do privilégio que é poder usufruir da nossa natureza sem medos. Sempre gostei da natureza, cresci numa cidade pequena/média com muita natureza, fui criada na terra, sei semear e apanhar batatas, sei vindimar e sei ao que cheira o estrume. Mas acordar no meio da natureza é um privilégio, é uma coisa que todas as pessoas deviam de experimentar, acordar no meio do nada mas esse nada ser só e apenas natureza, o cantar dos pássaros é o melhor despertador nem dá para ficar mal disposta quando começam cedo! É mesmo muito especial. Quanto mais me apaixonava pela natureza, mas consciência tinha do que a destruía, e portanto ganha ainda mais força tentar ‘melhorar o meu lixo’.
Consciência do espaço. Nós temos tantas coisas porque temos muito espaço vazio, ou temos pouco espaço vazio porque temos demasiadas coisas?
Auto introduzi-me ao minimalismo, passei a destralhar e a ter consciência que tinha demasiadas coisas, que não precisava de tudo e com menos coisas eu tinha mais espaço, logo menos é mais.
Consciência do tempo, passava horas a limpar a casa (e voltei a fazê-lo agora!) a limpeza profunda à autocaravana demorava no máximo uma meia hora, uma limpeza básica uns 15minutos! Quanto menos espaço tens, menos tens que limpar; sendo o espaço pequeno todo o espaço é usado diariamente, sendo usado diariamente vai sempre tendo manutenção básica de limpeza e portanto o tempo que tiras para ‘agora vou limpar a casa’ torna-se em minutos… e ganha-se mais tempo para viver… logo menos é mais!

Tenho verdadeiramente saudades de viver na minha autocaravana, ela ficou do outro lado do atlântico mas a consciência veio comigo para este lado.




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