Na ressaca

Uma portuguesa, 32 anos, com estabilidade profissional e pessoal, com projectos de futuro a longo prazo mas que aprendeu nos últimos anos que fazer planos é uma brincadeira engraçada, está algures alguém (e eu sou céptica!) a brincar com os nossos planos como se cada plano nosso fosse uma bolinha de sabão e ele vem e estala a bolinha (visto assim até é giro, adoro ver cães a apanhar essas bolinhas)!
Ai queres comprar uma casa, vai lá… encontraste a casa que queres chamar de tua? “UAHAHA (largou um riso maquiavélico, julgo eu na minha imaginação) não vai acontecer! Ainda vais ter de ver mais dezenas e dezenas de casas… e depois vais desistir!”
E desisti, afinal a casa que quero chamar de minha (de nossa!) vai ter de ser construída por nós próprios, vamos ter de suar muito, de nos sujar muito, juntos! E portanto, nova fase, procurar terrenos para a construção da nossa casa! Não sendo um processo tão complicado como procurar casa, também não é como ir ao supermercado comprar um pacote de massa (e olha que cada vez está mais difícil escolher pacotes de massa, para além dos vários formatos agora há várias cores, é integral é de cereais, é bio, é sem glutén… pronto, perceberam a ideia!) portanto mais uma roda viva de visitas, de contactos, de imobiliárias, de horas e horas em sites… e ao mesmo tempo indo começar a sonhar com a dita casa, para escolher o terreno adequado, uma canseira enorme mas lá escolhemos o terreno yeiiiii, após a burocracia ele é nosso, e vamos construir casa!
Só que entretanto, e lá está não dá para apostar uma mão pelos planos, porque entretanto o meu namorado recebe uma proposta para ir trabalhar para o Brasil (sim é mesmo emigração de Portugal para o Brasil, surpreendentemente) e… deixamos tudo para trás e, Brasil aí vamos nós! Não vamos nada, mesmo assim não foi como planeado (acham que ia ser?!) ainda estivemos a viver com um oceano no meio cerca de 1 ano, mas finalmente, estamos os 2 no Brasil!

E assim, agora sou uma pessoa COM O ATLÂNTICO NO MEIO DO CORAÇÃO, porque metade ficou em Portugal, metade está cá!

O que é que isso tem de interessante para ser escrito?
Provavelmente muito, mudar-me em plena pandemia mundial de Covid-19 para o país com mais número de mortos/infectados, sem ministro da saúde… deve ser uma loucura!